segunda, 21 de agosto de 2017
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Universitários cobram transporte

Sem o auxílio-transporte para ajudar a custear a ida às faculdades na região, principalmente a Bauru, estudantes universitários foram nesta segunda-feira à sessão da Câmara para protestar. Depois de publicar a lista com 449 nomes dos beneficiados, a Prefeitura cortou o auxílio alegando a crise financeira vivida pelo município.

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02/04/2013 às 05h34
Com narizes de palhaço, estudantes foram ao Legislativo

Com narizes de palhaço, estudantes foram ao Legislativo

Cerca de 30 estudantes universitários dentre os mais de 400 que tiveram o auxílio-transporte cortado pelo prefeito Rafael Agostini (PT) estiveram nesta segunda-feira )1/4) na sessão da Câmara num protesto pacífico e para pedir o apoio dos vereadores. Alguns com nariz de palhaço e outros segurando cartazes, os estudantes que fazem faculdades em cidades da região, principalmente em Bauru, não terão, conforme  anunciou o prefeito, a subvenção para o pagamento do transporte através de vans, que seria garantido por legislação municipal.

Depois de o Jornal Oficial de Jahu, ter publicado na metade de março uma lista com 449 nomes de universitários que se inscreveram e teriam direito ao auxílio-transporte, no dia seguinte o prefeito Agostini anunciou que a ajuda estava suspensa por falta de verba.

“Muitos de nós dependemos desse auxílio e vai ter muita gente que vai parar, vai trancar a matrícula na faculdade por não ter condições de arcar com o transporte.  Para muitos vai chegar no meio do ano e vai acabar a faculdade deles. Tudo bem cortar gastos, mas acho que nesse caso teria que ser revisto, precisava ser analisado melhor”, disse o estudante de engenharia civil Marcos Eduardo Vieira, que no ano passado teve a subvenção para o transporte.

Dentro do Câmara, os estudantes carregavam cartazes com dizeres como “Investir no presente é garantir o futuro” e “Nosso curso também será suspenso?”.  Chegaram a aplaudir a manifestação do vereador Carlos Lampião Magon (PV),mas depois foram advertidos pelo presidente Roberto Carlos Vanucci (PT) que não poderiam se manifestar daquela forma. Mas viraram as costas para a tribuna quando falava o líder do PT, Lucas Flores.

Ao final de várias manifestações de vereadores, Paulo Gambarini (PSDB) sugeriu que os estudantes formassem uma comissão com cinco ou seis integrantes e marcassem uma audiência com o prefeito Agostini. O líder do prefeito na Casa, Charles Sartori (PMDB) prometeu leva-los a audiência.  Taiane Aves, estudante de Artes Cênicas na USC, em Bauru, não acredita que isso possa resolver a questão. “Vamos formar a comissão e vamos ao prefeito, mas se ele quisesse decidir pelo pagamento do auxílio transporte poderia faze-lo sem a necessidade de irmos até ele”, disse.

O primeiro a se manifestar na tribuna foi o vereador Ronaldo Formigão (DEM) autor do requerimento pedindo informações  sobre a suspensão do pagamento do auxílio aos estudantes. “Apelo ao prefeito para respeitar a lei e os direitos dos estudantes. Que ele reveja essa situação. Dinheiro aplicado em educação não é gasto, é investimento”, disse.

O líder do prefeito, Charles Sartori, foi em seguida à tribuna para dizer que o auxílio transporte não está cortada, mas suspenso temporariamente. “Ele suspendeu temporariamente baseado na coerência do corte de gastos. Rafael Agostini pediu um voto de confiança nesse momento”, disse Sartori.

Como vereador, cobrança em 2005

Carlos Lampião Magon foi enfático ao dizer que o prefeito não pode simplesmente deixar de pagar a subvenção. “Para ele cortar o benefício teria que revogar o decreto 6021 que o criou. Não pode tirar assim, de acordo com a sua vontade”., disse. Lampião lembrou que os nomes dos estudantes já havia sido publicado no Jornal Oficial quando o prefeito barrou o benefício. Lampião lembrou, ainda, que em 2005 o então vereador Rafael Agostini encheu a Câmara de estudantes e cobrou do prefeito da época, João Sanzovo Neto, o pagamento do auxílio aos estudantes universitários. “Tem que cortar sim, em outras áreas, mas tem que pagar a subvenção. Tem aluno que pode trancar a faculdade por não ter condições de pagar o transporte e mais a escola”, completou Carlos Lampião, sob aplausos.

Tito Coló Neto (PSDB) citou o caso de um estudante quer ganhou a bolsa na faculdade e que pode perde-la porque não tem condições de pagar o transporte. “Tenho certeza que 90% desses estudantes foram eleitores do prefeito. O senhor, prefeito, está cortando tudo. Agora vai cortar também o sonho do estudante de ser alguém na vida?”, disse Coló.

Fernando Frederico de Almeida Junior (PMDB), da base aliada do prefeito, fez até cálculos. Disse que pagar o auxílio transporte aos universitários representa um gasto de R$ 70 mil mensais e em torno de R$ 800 mil no ano. “Estou diuturnamente tentando resolver isso. Tem gente que não vai conseguir estudar. Tenho a impressão que eu e os estudantes perdemos uma batalha, mas ainda não perdemos a guerra. Vamos atrás disso. O próprio prefeito disse que isso poderá ser revisto”, disse Frederico.

O líder do PT, Lucas Flores, a quem os estudantes viraram as costas enquanto falava na tribuna, disse que também foi conversar com o prefeito sobre o auxilio aos universitários. “Vocês  acham que um cara com 32 anos, com um futuro político, que vai apanhar na mídia, iria cortar porque quer a ajuda a vocês? Estamos vivendo um momento histórico. A cidade nunca viu uma divida como essa que nos é apresentada agora”, disse. Quem não virou as costas mostrou um cartaz onde se lia “Lucas, esquece o seu partido”.  Os estudantes tinham papel e pincel e produziam frases na hora.

No final, depois das falas dos vereadores José Aparecido Segura Ruiz (PTB) e Gilberto Vicente (PP),  Paulo Gambarini sugeriu a comissão de estudantes para conversar com o prefeito. Perguntou aos próprios universitários se eles topavam e estes responderam afirmativamente. O assunto foi encerrado aí.

 

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