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Um desafio nunca antes enfrentado

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18/06/2011 às 09h43
J. H. Teixeira

José Henrique Teixeira

Quando disse no final de 2008 que não temia desafios, o ex-presidente da Câmara de Jaú, Paulo de Tarso Nuñes Chiode, certamente não esperava que o desafio a ser vencido fosse da magnitude que ele se apresenta agora. Não só ele, mas também os seus pares, terão que lutar e muito nesses pouco mais de 15 meses que os separam do pleito de 2012. Não vai ser fácil limpar essa mancha que atingiu o Legislativo como um todo, de forma nunca antes registrada na história de Jaú: o desvio de dinheiro.

Embora os indicativos existentes apontem que os rombos no erário ocorreram no período em que Tarso presidia o Legislativo, a nódoa atinge a instituição como um todo. É mais um pesado fardo de descrédito nos já desacreditados legislativos deste Brasil afora.

Dezembro de 2008. Saguão da Prefeitura de Jaú. Porta da Câmara. Há poucos dias da posse do prefeito Osvaldo Franceschi Junior e dos vereadores eleitos em outubro, numa conversa com o vereador eleito Paulo de Tarso Nuñes Chiode, que já havia decidido disputar a presidência do Legislativo na posse em 1º de janeiro de 2009, eu sugeri que ele desistisse de ser presidente logo de cara, no primeiro biênio. O meu argumento era que ele não tinha experiência legislativa e que poderia esperar para ser presidente no segundo biênio, ou seja, em 2011 e 2012. A resposta de Chiode foi taxativa: “Não tenho medo de desafios”.

Naqueles tempos, eu e o médico Chiode, depois eleito vereador, trocávamos figurinhas em questões de tecnologia. Os dois gostam muito de informática e era um tal de conversar e trocar impressões sobre software e hardware. Em alguns casos a troca se materializava.

Depois, eleito presidente e instalando a TV Câmara, ele me processou por conta de uma simples carta do leitor em que eu questionei a necessidade de se instalar uma TV no Legislativo. Nem o nome, nem o cargo dele eram mencionados na respectiva carta. Por enquanto perdeu a pendência jurídica em duas instâncias.

Acredito que hoje, depois de tudo o que aconteceu e vem acontecendo, se Chiode voltasse àquela nossa conversa de dezembro de 2008, talvez me desse razão. Acredito que ele não tem mesmo medo de desafios. Mas, se pudesse antever o que lhe esperava, teria repensado a sua disposição de presidir o Legislativo no primeiro biênio.
Cheque de quase R$ 13 mil que deveria ter sido depositado na conta da Prefeitura e não foi. Agora, fala-se em mais R$ 160 que teriam sido desviados. Tudo isso teria acontecido em 2009 e 2010, quando Chiode, sem medo de desafios, presidia o Legislativo.

O que faltou nesse tempo? Uma maior presença do presidente na Câmara? Talvez. A sua atividade na Medicina não deve ter permitido que ficasse tão perto do que acontecia no Legislativo como ele gostaria. Muitas vezes as sessões começavam com atraso porque o presidente estava no hospital em sua hipocrática e nobilíssima missão de salvar vidas.

A sua presença em tempo integral na Câmara, como acontece com o atual presidente Carlos Lampião, seria a garantia de que tais nefastos episódios não se verificariam? Não. Mas a ausência implica em delegar confiança a pessoas muitas vezes não tão dignas dessa confiança. E aí, deu no que deu.

O ex-presidente Chiode poderia muito bem ter deixado para presidir a Câmara no segundo biênio, quando já teria melhor diagnosticado como funciona o aparelho Legislativo e saberia com mais clareza a quem delegar confiança. Talvez fosse ele agora quem estivesse prescrevendo os remédios que seu sucessor Lampião está receitando para curar o mal instalado.

Como decidiu enfrentar todos os desafios, terá que encarar esse também de que poderá passar à história como o presidente em cuja gestão, pela primeira vez na história de Jaú, houve desvio de dinheiro na Câmara. Ele, com os outros 10, terá que convencer a opinião pública – e não será nada fácil – de que pode voltar a merecer um voto de confiança.
 

2 Comentários(Deixe o seu)

  • Andre Martins

    Concordo plenamente com tudo que esta escrito nesse texto acima,essa gestão com certeza vai ficar como a pior da história da cidade,e sem duvida nenhuma esses atuais politicos da cidade não tem credibilidade alguma pra tentar se reelegerem,o mais certo é eles esquecerem da politica e ficar bem longe, dos gabinetes da prefeitura e do dinheiro publico.

  • Carlos Norberto Ozilieri

    O que é isso Teixeirinha?
    O "Nunca Antes" é marca registrada do nosso Lulinha, compañeiro !!

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