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Dilma mãos de tesoura

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04/03/2011 às 10h12

*José Eduardo Amantini

O ajuste fiscal anunciado nesta semana pelo governo Dilma ceifou investimentos em diversos setores sociais, como o Minha Casa, Minha Vida. O programa habitacional perdeu R$ 5,1 bilhões, o suficiente para construir 200 mil moradias. Desmorona-se, assim, o discurso reiterado pela presidente de que o PAC não seria afetado pela sua tesoura. Cai também por terra sua pregação repetida ao longo da campanha eleitoral de que “em hipótese alguma” faria um ajuste fiscal nas contas públicas.

Na verdade, o PAC já vem perdendo recursos desde o ano passado. O programa começou a ter suas verbas desidratadas quando foi aprovado o Orçamento da União para este ano. Desde então, R$ 8,5 bilhões já viraram fumação : R$ 3,4 bilhões foram extirpados na versão final do Orçamento Geral da União e R$ 5,1 bilhões do Minha Casa ruíram agora. Na realidade, até agora o PAC de 2011 praticamente não saiu do papel.

Os vetos no orçamento deste ano também afetaram fortemente os programas de Proteção Social Básica e Proteção Social Especial, que perderam R$ 126,6 milhões. Seriam investimentos para a construção de creches, centros de convivência de idosos e de atendimento a pessoas vítimas de violências. Com isso, famílias que vivem em situação de risco e vulnerabilidade social ficam sem proteção.

Os vetos atingem também Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais. Vale lembrar que, durante a campanha eleitoral do ano passado, em debate transmitido pela TV, a então candidata Dilma negou que as APAES fossem sofrer restrições. “O governo federal tem uma posição de apoio às APAES porque elas são uma organização da sociedade que faz um trabalho excepcional”, disse Dilma na ocasião. E completou : “Não é muito correto dizer que nós não olhamos pra essa questão”. Ao contrário do que afirmou Dilma, os cortes nas APAES somam R$ 4,2 milhões.

A presidente Dilma deveria rever sua postura, pois ela não pode ser contraditória, ainda mais quando estamos falando das pessoas com deficiência, que já sofrem com a ausência de estrutura adequada na educação, saúde, transporte e infraestrutura urbana. Isso é um absurdo !

O corte na área social foi profundo e prejudicará, principalmente, as pessoas que mais carecem da atenção. As APAES têm importância fundamental para o país, pois ensinam a sociedade a promover a inclusão dos portadores de necessidades especiais. Essa instituição deve ser respeitada e valorizada. O governo Dilma não pode prejudicar quem mais dá importância às pessoas com deficiência, no caso, às Apaes.

Infelizmente, o governo federal optou, mais uma vez, por prejudicar os que mais precisam. É uma irresponsabilidade cortar investimentos em ações sociais ao mesmo tempo em que a presidente Dilma anuncia a criação de mais dois ministérios : o das Pequenas e Microempresas e a Secretaria Nacional de Irrigação, com status de ministério, mesmo já existindo estruturas responsáveis pela política desses dois setores. Ao final de 2004, existiam 26 ministérios. Com as duas novas pastas, serão 40. Isso mostra a dificuldade dos governos do PT para lidar bem com recursos públicos.

*José Eduardo Amantini é jornalista e presidente do PSDB de Itapuí
 

Um comentário(Deixe o seu)

  • Carlos Norberto Ozilieri

    O PT é citado como o partido mais admirado pela nova classe média, diz Datafolha

    O PT é citado como o partido mais admirado pela nova classe média, faixa que reúne as famílias com renda mensal entre três e dez salários mínimos. A sigla aparece à frente das outras em todas as faixas de renda, com 26% da preferência, contra 6% do PMDB e 5% do PSDB.

    É claro que esse comentário não vai ser publicado não é???



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