terça, 31 de março de 2020
Início » Opinião » De alma lavada e enxaguada

De alma lavada e enxaguada

Gravatar
01/01/2011 às 17h47
J.H. Teixeira

José Henrique Teixeira

De alma lavada e enxaguada. Como diria o personagem de Dias Gomes, o Odorico Paraguassu, “deixando os pratrasmentes e falando nos prafrentementes”, não sei como será o prafrentemente porque não votei nela para presidente da República, mas hoje estou de alma lavada e enxaguada porque o Inácio não é mais o presidente do meu país.

Para fechar com chave de ouro o seu governo, ele demonstrou nas últimas horas de seu mandato o grande perfil de estadista que tem. Primeiro, declarou para o mundo ouvir que deu risada das dificuldades econômicas vividas por grandes potências, como Estados Unidos e países europeus. Depois,por deixar sair em liberdade e negar a extradição para a Itália ao assassino, terrorista e condenado a prisão perpétua em seu país, Cesare Battisti.

Mas não poderia mesmo ser diferente. Este é o Inácio, que ao longo do mandato tripudiou da legislação, especialmente da eleitoral neste último ano. Este é o Inácio, em cujo governo, como nunca antes na história desse país, tivemos tantos escândalos. Este é o Inácio, pai do Lulinha, que de funcionário de jardim zoológico se tornou milionário e ainda tem o aluguel do apartamento em que mora pago por um fornecedor do governo.

Este é o Inácio, que escarnece da imprensa que denunciou os tantos escândalos ao longo de seu Governo. Faz isso porque sabe que a imensa maioria dos que o aclamam como um novo “padre Cícero” não tem acesso às informações divulgadas por essa mesma imprensa. Parte dessa gente até acha que não precisa estudar e nem precisa ler jornais, porque o Inácio não estudou e nem gosta de ler jornais e chegou a presidente.

Arrogante esse Inácio. Não foi capaz ao longo de seus oito anos, em momento algum, de reconhecer que os oito anos de seu antecessor é que possibilitaram muitas das conquistas sociais sobre as quais assumiu total paternidade. Conquistas sociais que, aliás, são controversas nos números apresentados. Não se erradicou tanto assim a pobreza nesse país como mostram os números oficiais. Basta ver nas ruas. Uma mentira exaustivamente repetida acaba sendo aceita como verdade. Com quem será que ele aprendeu essa tática?

Este é o Inácio, que nada viu, que nada sabe. O Inácio das bravatas nos palanques, como se estivesse permanentemente em campanha. Este é o Inácio, que agora volta para São Bernardo do Campo, onde eu gostaria que ficasse para todo o sempre, mas que infelizmente não ficará satisfeito com os oito últimos anos acrescentados ao seu, até então, parco currículo.

Dá vontade de tornar realidade a situação daquela piadinha muito veiculada pelos e-mails ultimamente. Sabe qual? A daquele senhor que a partir de 2 de janeiro de 2011 começa a ir todo dia ao Palácio do Planalto e perguntar pelo Lula (a primeira vez que usei o nome do molusco, detesto-o). Todo dia ele é informado que o homem não dá mais expediente ali e agora a plantonista é a Dilma. Todo dia ele vai, pergunta e recebe a mesma resposta. A coisa chega ao ponto de o pessoal de recepção perder a paciência e questionar porque ele faz aquilo todo santo dia. E o homem responde: “Vocês não sabem a alegria que me dá ouvir que ele não está mais aqui”.

Por isso tudo me sinto de alma lavada e enxaguada.
 

2 Comentários(Deixe o seu)

  • Luiz Fernando Bassan Cezar

    Concordo plenamente com o jornalista, e acrecentaria,"já vai tarde Sr Lula".Este pais ainda vai lamentar este presidente que teve.

  • Alexandre Bueno Bernardi

    Na era FHC, o plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. Outro mito é que o governo FHC foi um exemplo de rigor fiscal. Um governo que elevou a dívida pública do Brasil de 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal?

Deixar Comentário

Digite as letras e/ou números que você vê na imagem abaixo:

Leia | Política de Comentários.

Versão Móvel | Contato | Anuncie

Primeiro site de notícias de Jaú.
Jornalista responsável: José Henrique Teixeira MTb 20.061
Jaunews © 1999 - 2020. Todos os direitos reservados