sábado, 28 de março de 2020
Início » Opinião » Lula e a imbecilização da política - Plínio Teixeira Jr

Lula e a imbecilização da política - Plínio Teixeira Jr

Gravatar
28/10/2010 às 20h23

Plínio Teixeira Jr

O hábito cultivado pelo presidente Lula de em seus delírios populistas reivindicar para si a condição de inventor do Brasil, embora agrida a inteligência de qualquer pessoa minimamente informada, é algo que não temos como evitar. Mesmo porque, delírios de palanque a parte, acredito que em seu íntimo ele deve mesmo considerar-se o grande inventor do Brasil. Sendo assim, como reza aquele conselho que é dado a alguém que está diante de um louco que afirma ser Napoleão Bonaparte ou Jesus Cristo, melhor não contrariar.

O que intriga e incomoda os que sonham e torcem por um constante avanço político em nosso país, que não se dará sem o amadurecimento político de seus cidadãos, é deparar com uma grande quantidade de pessoas detentoras de um bom nível de escolaridade e privilegiado acesso à informação comprando e vendendo entusiasticamente esse delírio presidencial. Cada vez mais embebidos na paixão por seu ídolo político máximo, inviabilizam qualquer possibilidade de um debate sério de idéias ao rechaçarem vigorosamente qualquer menção a conquistas produzidas por governantes que passaram pelo país antes de 2003, sobretudo se o governante em questão atender pelo nome de Fernando Henrique Cardoso. Ofenda pesadamente toda a família de um fanático do lulopetismo desde o seu antepassado mais remoto mas não cometa a insanidade de mencionar qualquer feito positivo da era FHC se não estiver realmente preparado para a guerra. Lacaio do neoliberalismo globalizador e antinacional serão as palavras mais doces que soarão aos seus ouvidos.

Se a invenção do Brasil é fruto dos delírios populistas de Lula e da paixão sem limites de seus idólatras, a patente dessa imbecilização do debate político no país não pode ser subtraída ao presidente. À medida em que sucessivas pesquisas de opinião foram revelando índices sempre crescentes de aprovação ao seu governo, Lula passou a incorporar com indisfarçável prazer o figurino de iluminado salvador dos pobres, num estilo desajeitado e mal concebido dos líderes messiânicos de todas as épocas. Aqui se faz necessário um parênteses para esclarecer que a presente análise é feita por alguém que foi filiado e militante do PT durante muitos anos e votou em Lula em todas as eleições por ele disputadas até a conquista de seu primeiro mandato. Alguém que votou Marina Silva no primeiro turno e estará votando em branco no próximo domingo.

Dito isto, voltemos à imbecilização da política, da qual Lula transformou-se no principal artífice durante os seus oitos anos de governo prestes a se encerrar. Tudo remonta à montagem da inverossímil ?base aliada? de seu primeiro governo, composta por partidos sem programa e sem projetos, apenas lista de pedidos. Em nome da tão decantada governabilidade, o ex-operário e líder sindical badalado como uma espécie de herói pela esquerda brasileira aceitou passivamente abrir mão de seus princípios éticos mais caros na ilusão de que teria uma vida mais fácil na cadeira presidencial. Ilusão que se desfez como bolhas de sabão no ar já no terceiro ano do primeiro mandato, com a eclosão do escândalo do mensalão, como ficou conhecida a mesada que era paga pelo PT a deputados de outros partidos em troca de apoio na Câmara. Escândalo esse que derrubou o até então todo-poderos o chefe da Casa Civil, José Dirceu, denunciado ao Supremo Tribunal Federal como o ?chefe de uma organização criminosa sofisticada?. Nunca é demais lembrar que antes ainda do escândalo do mensalão, os pilares do primeiro governo lulopetista já haviam sido estremecidos pelo escândalo dos Correios, que teve como seu principal personagem o então assessor para Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, homem de confiança de Dirceu, filmado num esquema de recebimento de propinas em troca de contratos com a empresa estatal.

Não vamos aqui, sob pena de tornarmos o texto ainda mais longo e cansativo do que já está, rememorar todos os demais escândalos que marcaram a era Lula. Como se estivéssemos assistindo a um filme, em que a passagem do tempo não necessita obedecer a um roteiro linear, façamos um corte entre o primeiro escândalo já mencionado na Casa Civil para os que estão no noticiário atual envolvendo denúncias de tráfico de influência na mesma pasta durante a gestão da ex-ministra Erenice Guerra, ex-braço direito da candidata oficial e favorita à vitória no próximo domingo, Dilma Rousseff. Alguém já escreveu que depois de ter sob seu teto José Dirceu, Dilma Rousseff e Erenice Guerra, a pasta deveria, por coerência, ter subtraída a primeira sílaba de seu segundo nome, passando a ser conhecida apenas como a Casa Vil.

Quase oito anos e inúmeros escândalos depois, o ?iluminado salvador dos pobres? é aclamado e defendido quase que como um semi-deus pelos seus seguidores e chega ao final de seu segundo mandato ostentando índices absolutamente inéditos de popularidade para um governante brasileiro prestes a vestir o pijama. E é aí que tem se revelado o verdadeiro Lula. Embriagado, sem qualquer trocadilho, pela popularidade nas nuvens, o presidente que durante oito anos se cercou do que existe de mais abjeto na política partidária brasileira, que passou a mão na cabeça de corruptos, mensaleiros e aloprados, agora tem demonstrado em discursos cada vez mais inoportunos um desejo insaciável de vingança contra todos aqueles que um dia ousaram apontar o dedo para o mar de lama que escorria de seu governo. Sem qualquer tipo de cerimônia para demonstrar seu desapreço pelas leis e pel as instituições do país, o presidente multado, meia dúzia de vezes, por abuso de propaganda eleitoral fora de hora e de lugar, estende a sua cruzada de caça às bruxas aos adversários, tratados como inimigos a serem exterminados, como recomendou que se fizesse com o DEM, um partido legalmente constituído, durante um comício ainda no primeiro turno, arrancando calorosos aplausos de seus fiéis discípulos em todo o país. Como bem descreveu Augusto Nunes em artigo recente: ?Não é mais política. O inimigo é transformado em ?coisa?, despido de sua humanidade, de sua identidade, de sua verdade, para se tornar uma abstração nefasta. Não querem combater o PSDB ou seu candidato, José Serra, porque considerem suas idéias ruins ou o tomem por incompetente. Não! Ele passa a ser considerado ?o retrocesso?, como se sua eventual eleição representasse uma marcha involutiva, que afastaria os brasile iros e o país de um destino. Fora do terreno da política, aí vale rigorosamente tudo, muito especialmente a mentira?.

O texto introdutório às 13 propostas para o Brasil apresentadas esta semana pela candidata Dilma Rousseff, diga-se, um conjunto de generalidades e de boas intenções dignas de ocupar lugar de destaque no anedotário político nacional, embora não explique em seu todo, talvez ajude a compreender um pouco melhor o espírito cada vez mais exacerbado do presidente neste seu final de mandato: ?Há quase oito anos, o Governo Lula deu início a profundas transformações econômicas, sociais e políticas em nosso país. (?) O governo do Presidente Lula conseguiu, pela primeira vez em nossa história, articular crescimento da economia com forte distribuição de renda, inclusão e ascensão social.? Fica claro, como já mencionei anteriormente, que os petistas não aceitam dividi r com toda a Nação ?muito menos com governos anteriores ? o crédito pelos inegáveis avanços econômicos e sociais obtidos pelo país nos últimos anos, porque isso só foi possível graças a eles, ?pela primeira vez em nossa história?. Antes de Lula tivemos cinco séculos perdidos. Faltou mencionar de maneira mais específica as transformações políticas obtidas durante esse período, até como uma maneira de fazer justiça ao importante papel desempenhado na base de sustentação ao governo de Lula por figuras de reputações ilibadíssimas como José Sarney, Renan Calheiros, Paulo Maluf, Jader Barbalho, Fernando Collor etc.

Inebriado com a própria popularidade e sedento de vingança contra aqueles que julga não reconhecerem devidamente as conquistas de seu governo, aí incluída com todo destaque a imprensa, alvo preferencial da sua ira, Lula se distancia cada vez mais do estadista que nunca foi para voltar aos tempos do líder dos discursos inflamados nas portas de fábricas do ABC paulista, onde iniciou sua fascinante trajetória política. E se essa tem sido uma postura nem um pouco conveniente para o país e às suas instituições partindo da pessoa que ocupa o cargo de chefe da Nação, tem sido de uma utilidade magnífica para os propósitos de Lula. Haja vista que, confirmados os números mais recentes dos institutos de pesquisas, no próximo domingo ele estará ajudando a levar a primeira mulher à presidência do país, na pessoa de sua candidata, Dilma Rousseff. Esta sim, ao contrário do Brasil, uma invenção 100% de sua autoria e em favor da qual teve que lutar contra as resistências iniciais dentro de seu próprio partido. Até que o PT se desse conta de que era ele próprio a principal vítima da imbecilização da política patrocinada nos últimos anos pelo seu maior líder.
 

Um comentário(Deixe o seu)

  • Carlos Norberto Ozilieri

    Por que o PT ganhou as últimas tres eleições para presidente?
    Por que o Serra não consegue ganhar nada a nível nacional?
    Será que é porque o FHC fez um péssimo governo e o povo não quer saber mais dessa direita neoliberal(PSDB/DEM)?

Deixar Comentário

Digite as letras e/ou números que você vê na imagem abaixo:

Leia | Política de Comentários.

Versão Móvel | Contato | Anuncie

Primeiro site de notícias de Jaú.
Jornalista responsável: José Henrique Teixeira MTb 20.061
Jaunews © 1999 - 2020. Todos os direitos reservados