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Carta à presidente Dilma Roussef

Mas agora se descobre que a historia é outra: não havia luz no início e não há luz no fim do túnel. É preciso controlar a inflação e depois mirar nos investimentos.

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27/07/2013 às 10h24

Arnaldo  Jardim

 

Prezada Presidente,

Li no jornal O Estado de S. Paulo do dia 21 de julho: O presidente do Banco Central Alexandre Tombini afirmou que o processo de retomada do crescimento do País foi prejudicado por um abalo de confiança que trava os investimentos. Foi uma entrevista franca em que ele se compromete batalhar contra a inflação e manter o câmbio sob estrita vigilância com os instrumentos que a Constituição e suas leis complementares lhe permitem. Admite, correto a meu ver, que a falta confiança da sociedade que a senhora e seus ministros negam em suas declarações, existe mesmo. Tombini não discute as outras ações que o governo precisa tomar para dominar a inflação – como o ajuste fiscal, investimentos públicos – mas diz que o governo tem que fazer e explicar a todos, com clareza, o que fez, porque fez e com qual objetivo. Coisas que têm passado longe do discurso empolgado e até diversionista do ministro da Fazenda.

Em minha opinião, o governo do PT ignorou todas as oportunidades de dar bom segmento à ordem e ao progresso do País que recebeu sem inflação, com muitos brasileiros já podendo comer frango, com aprovação popular e reformas estruturais iniciadas. Reconheço o mérito de poder resgatar milhões de brasileiros para a ceia dos cidadãos e da solidariedade; distribuir renda porem, não teve a inteligência e a determinação de desenvolver um plano estratégico para o Brasil condicionado pelo poder delineado e alimentado pelos acordos e práticas condenados à exaustão no passado.

O Brasil enfrentou a “marolinha” de 2008 com relativo sucesso e o “tsunami” da crise europeia, aliado à recuperação dos Estados Unidos e ao menor crescimento futuro da China sobraram em suas mãos cuja sua equipe econômica, em minha opinião, subestimou problemas com medidas insuficientes e pontuais, como as desonerações de impostos.

Estamos aqui – a senhora e todos que não estabeleceram nenhuma diretriz mais duradoura – no túnel onde ganhava uma lanterna do governo quem se sentia mais incomodado com a escuridão. Em situações mais graves, o governo tem justificado a falta de iluminação à sabotagem, a má vontade e aos inimigos da travessia – os conservadores, como disse outro dia o ex-presidente Lula. Ele os conhece bem, teve que fazer muitos acordos que o velho PT não faria. Não o critico. Lula é disciplinador, disciplinado e precisava governar, ao tempo em que fazia o que mais gostava: negociar, mesmo que não vendesse ou nada comprasse.

É claro que estou no mesmo barco, como parlamentar. Mas não é fácil, do lado de quem, no legislativo, por causa das imensas pressões do seu governo sobre o Congresso, acaba se limitando à análise de medidas provisórias, sob pena de ver se despejada sistematicamente às costas dos políticos (Câmara e Senado) a responsabilidade pelas mazelas que sufocam o País.

Mas agora se descobre que a historia é outra: não havia luz no início e não há luz no fim do túnel. É preciso controlar a inflação e depois mirar nos investimentos.

Tombini tem razão em se preocupar. As altas do dólar, desde o fim de maio, estão aquecendo a caldeira da inflação que poderá ser radiante, em setembro próximo. Os ganhos marginais da inclusão econômica da população; da expansão de crédito (o Banco do Brasil está subindo suas taxas de juros para pequenas e médias empresas, perto das taxas dos bancos privados); e da explosão da demanda estão esgotados. A inadimplência das famílias brasileiras cresceu 72% entre 2007 e 2013. E no meio desta semana soube-se do desequilíbrio das contas e das taxas de emprego e desemprego que poderão em poucos meses, segundo os analistas mais neutros, assustar a Nação.

A senhora sabe disso. Tem medo de dizer isso aos brasileiros? Ou de perder as próximas eleições e comprometer o velho projeto hegemônico de poder do seu partido?

O PIB do País vai crescer, mas devagar, como a arrecadação, os salários, os benefícios fiscais, os juros no mundo vão aumentar e a mútua dependência econômica estabelecida entre Estados Unidos e China, da qual continua se beneficiando o mercado internacional, não preservará subdesenvolvidos, emergentes, periféricos, ou seja, lá os classificados que sobrarem do novo arranjo mundial. Disso a senhora está cansada de saber, embora ninguém lhe ajude a formular qualquer estratégia.

O Brasil só é importante por ser estratégico, do ponto de vista dos recursos naturais e da geopolítica. Eu sei que a senhora sabe. Tem muito mais informação do que eu. Não vai encontrar uma saída patriótica para esta difícil situação conversando com seus marqueteiros, com o ex-presidente Lula e com alguns partidários que lhe querem ver pelas costas. Precisa assumir que é presidente de todos os brasileiros, muito além de presidir as reuniões dos seus 39 ministros. Repito uma questão de artigo anterior: Vossa Excelência vai se apequenar e ceder a questões eleitoreiras ou irá, como estadista, assumir realmente a Presidência e conduzir o Pais?

 

Cordialmente,

Arnaldo Jardim - Deputado federal PPS/SP.

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