terça, 19 de setembro de 2017
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Eleições e decepções

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12/10/2012 às 14h24

José Henrique Teixeira, jornalista e radialista, há 33 anos atuando na imprensa em Jaú.
 
Eleicão se ganha ou se perde. Quem entra na disputa deve estar preparado para o que vier das urnas. E nunca se sabe o que virá. Mesmo conhecendo essas máximas, confesso que fiquei decepcionado com o resultado das urnas deste 7 de outubro no tocante a minha candidatura a vereador.
 
Depois de mais de 30 anos acompanhando a vida política de Jaú, devido a minha profissão de jornalista e o que há mais tempo segue as sessões legislativas, decidi em 2008 lançar-me candidato a vereador. Sai pelo PDT, que decidiu se aliar à candidatura de Heloiza Almeida Leite (PPS) a prefeitta. Fiz a minha campanha, que todos comentaram ter sido muito forte, porque andei todos os bairros da cidade, mas acabei com 607 votos e não fui eleito. Tudo bem. Era a primeira vez e considerei que a votação foi expressiva.
 
Em 2012, agora no PSDB, decidi sair novamente candidato, mesmo contrariando pessoas da família, que não aprovavam essa nova tentativa. Poderia ter sido oportunista, como muitos o foram, e ter me filiado ao PT em 2011,quando já se prenunciava a vitória do partido nas urnas em Jaú. Talvez fosse um dos eleitos.Em agosto do ano passado fui chamado por Rafael Agostini para conversar. Nada contra Agostini, que é meu amigo e colega jornalista, mas eu não consigo gostar do PT. Seria como me pedir que torcesse para o Corinthians. Fui para o PSDB que teria remotíssimas possibilidades de se aliar ao PT no plano local.
 
Novamente fui às ruas. Bati às portas, toquei as campainhas e quando atendido pelo interfone me apresentei e pedi licença para colocar “santinhos” na caixa de correspondência do morador.
 
Recebi nas ruas inúmeras manifestações de apoio. Quantos e quantos falaram que toda a família votaria em mim. Quantos e quantos se manifestaram com grande alegria ao receber em suas casas o Teixeira da Rádio, confessando ser meu grande ouvinte na emissora, admirador do meu trabalho e que dariam seu voto a minha pessoa.
 
Quando saíamos em caminhadas com o candidato a prefeito Zuca, os colegas de partido ficavam impressionados com essas manifestações espontâneas em relação ao meu nome. Vários deles chegaram a dizer: “Você está eleito” ou, “você será um dos mais votados”. Quando saiamos só eu e meu cabo eleitoral, o Tavares, o único que eu tinha e que o partido pagou, ele também ficava impressionado. Na reta final chegou a dizer: “Teixeira, pode encomendar o churrasco da sua vitória”.
 
E o que aconteceu no dia 7 de outubro?   Fiz 460 votos. Juro que fiquei sem entender nada. Pasmo. Mas e as tantas manifestações de apoio e de voto? O que aconteceu com essa gente?
 
Conclui o seguinte: eleição não se ganha com apenas um carro na rua, adesivado e com uma caixa de som em cima e nem com apenas um cabo eleitoral a acompanha-lo. Muitos dos eleitos não ficaram com bolhas nos pés e nem com assaduras nas virilhas de tanto andar pelas ruas sob um sol escaldante. Eu fiquei! Eles não iam aos bairros. Mandavam seus 20 ou 30 emissários. Tinham 10, 20 ou 30 carros de som percorrendo as ruas.  Fizeram e refizeram a propaganda nos mesmos locais. Eu batendo em todas as portas e andando só com o Tavares, tive até que deixar alguns bairros para trás. Foram dois ou três nos quais não passei. Não deu tempo. No dia 6, véspera da eleição, fiquei das 16h às 19h no corpo a corpo com eleitores no estacionamento de um supermercado.,Já havia feito esse mesmo trabalho outras duas vezes antes.
 
Eu quis provar que mesmo sem uma grande estrutura, mesmo sem ter dinheiro para gastar, era possível se eleger vereador em Jaú. Não é. Mesmo com as pessoas me reconhecendo logo ao abrir a boca e me apresentar como o Teixeira da Rádio, que a maioria só conhecia pela voz, não foi possível. E olha que graças a essa grande audiência na rádio, sou um nome conhecido em toda a cidade.  O que os outros, que não contavam com esse forte apelo de um veículo de comunicação fizeram que eu não soube fazer para conquistar o eleitor?  Será que se eu apenas pedisse voto para mim e falasse ao eleitor que votasse no candidato a prefeito que quisesse, como teve quem fez, eu não estaria eleito? Mas não fiz isso. Sou leal. Dizia eu sou o Teixeira da Rádio, candidato a vereador, com o Zuca para prefeito. No som do carro ouvia-se “com Zuca 45 prefeito”.
 
Eu não devo ter nascido para ser político. Deus não quer que eu seja um político. Só posso pensar assim. Amigos chegaram a me aconselhar através de redes sociais: “Não entra nessa. Você é uma pessoa séria, tem credibilidade. Sai dessa”. Certamente estavam se referindo a boa parte dos nossos políticos neste Brasil, que não são sérios e nem confiáveis. Mas eu, teimoso, entrei.
 
Só que depois do que aconteceu este ano, não vou entrar mais. Vou pedir a minha desfiliação partidária e nunca mais serei candidato a nada. Vou continuar, enquanto Deus me der vida e saúde, na minha luta diária de repórter, o que modéstia à parte, sei fazer e faço com satisfação há 35 anos, sendo 33 deles em Jaú. Continuarei, no microfone, ao lado da população, que sempre sabe onde me achar, ao contrário de alguns vereadores que as pessoas só vêem a cada quatro anos.
 
Obrigado aos 459 que votaram em mim (o outro voto dos 460 foi o meu). Desculpe  por vocês não terem conseguido eleger um vereador. Os meus 460 votos e aqueles dos outros 16 colegas de coligação serviram para ajudar a eleger os três do PSDB que irão representar a todos nós a partir do ano que vem. Bom trabalho a eles. E que honrem o cargo para o qual a população os contratou.

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