terça, 31 de março de 2020
Início » Geral » Sabu canta o amor e revive os grandes bailes

Sabu canta o amor e revive os grandes bailes

Gravatar
26/11/2011 às 17h46

Galeria de Fotos

J.H. Teixeira

 

Marcílio Galdino Pires é um nome muito conhecido pela geração que chamava de banda aquele grupo de músicos que tocava em um coreto ou em desfile na rua. A geração que chama de banda um ajuntado de três ou quatro que fazem o maior barulho com suas guitarras e bateria, certamente não tem a menor idéia de quem estamos falando. Essa geração não conheceu as big-bands, as orquestras. Foi uma dessas orquestras que fez parte de um longo período da vida de Marcílio Galdino Pires, o Sabu.  Ele foi o “crooner”, como se chamava naquele tempo o cantor, da grande Orquestra Capelozza, de Jaú.
 
E foi para relembrar aqueles bons tempos, dos grandes bailes com a Orquestra Capelozza, nascida Líder Orquestra, que Sabu lançou em 5 de fevereiro de 2010 um CD (sigla que no tempo da orquestra era um Compacto Duplo, disco de vinil que vinha com duas músicas de cada lado).
 
O CD de Sabu, com o título “Sabu e seus momentos” e o subtítulo de “Sabu canta o amor”, relembra mesmo os tempos dos bailes, dos boleros inesquecíveis, do dançar de rosto colado. Tempo dos bailes em que os rapazes iam de terno e as moças de vestido longo. Tempo em que as mocinhas ficavam sentadas na mesma mesa com os seus pais no salão do clube e o rapaz tinha que enfrentar as “feras” para tirá-la para dançar.
 
Para relembrar os bons momentos que tanta gente viveu naqueles tempos ao som da Orquestra Capelozza, Sabu reuniu no CD um ótimo repertório. Começa com “Só você”, que é uma versa do “Only You”, consagrada nos anos 50 pelo “The Platters”. Depois vem “Besame Mucho”, de 1940, da mexicana Consuelo Velasquez, imortalizada por Lucho Gatica e Pedro Vargas, dentre tantos outros intérpretes. Até The Beatles gravaram essa música.
 
Mas tem muito mais. Tem “Carinhoso”, do grande Pixinguinha; “História de um amor”, de Luis Miguel: “Marina”, de Dorival Caymmi; “Abrazame asi”, de Tamara Castro; um pot-pourri com “Maria Helena”/”Perfídia”/”Amor, amor, amor”; que precede ao boleraço “Tu me acostumbraste”, de Luis Miguel. Depois vem a versão de “El Reloj”, também de Luis Miguel; seguida de “Solamente uma vez”, do mesmo autor. E aqueles olhos verdes que tanto cativaram o jovem apaixonado daquela época, também são lembrados na  “Olhos Verdes”, imortalizada por Trio Irakitan: e, finalmente, “Eu sonhei que tu estavas tão linda”, valsa de Lamartine Babo, interpretada à época por Francisco Alves.
 
Sabu
 
Marcílio Galdino Pires, o Sabu, incorporou ao seu nome musical o apelido que surgiu por causa da semelhança com um ator de cinema indiano que tinha esse nome. Ele nasceu em Agudos. Começou a cantar aos 16 anos. Em 1946, com o Jazz Band Cacique, já cantava no carnaval do Agudos Tênis Clube. Vendo-o cantar, um senhor de Marília o levou para ser o crooner da orquestra do Marília Tênis Clube. Sabu foi para Marília.
 
Por um desses acasos do destino, os irmãos Plácido Antonio (Tunin) e Amélio Capelozza, que em 1940 haviam fundado em Jaú a Orquestra Continental, mudaram-se por volta de 1944 para Marilia. Deixaram a fábrica de móveis Ao Jahu Progride e foram trabalhar com um tio que tinha marcenaria naquela cidade. Deixaram também a Orquestra Continental, que ficou com o “crooner” Antonio Waldomiro de Oliveira.
 
Em Marília, os Capelozza conheceram Sabu, cantando na Orquestra do Marília Tênis Clube. Em 1948, Sabu já havia passado num teste na Rádio Bandeirantes e estava disposto a ir para a Capital, tornando-se também um cantor da noite. Foi quando os irmãos Capelozza o demoveram da idéia. Disseram que voltariam para Jaú e fundariam uma orquestra e Sabu seria o crooner.
 
Voltaram para Jaú, Sabu com eles, fundaram a Líder Orquestra. Mais tarde ela se tornaria Orquestra Capelozza. Nunca mais Sabu deixou Jaú e em 4 de dezembro de 1987 recebeu da Câmara o título de Cidadão Jauense.
 
Depois do fim da orquestra, que terminou em um baile no Nosso Clube, em Bocaina, em 1970, Sabu continuou cantando em grupos musicais que se formaram, um deles com o nome “Capelozza”, pois tinha ainda o Tunin e o Irineu.
 
Nos tempos de orquestra, Sabu chegou a se apresentar cantando com o Zimbo Trio, na Rádio Tupi. Com a Orquestra Capelozza, viajou por todo o Estado de São Paulo, foi para Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso.
 
Depois da orquestra, mesmo ainda cantando com um e outro grupo, Sabu ficou 22 anos à frente do Hotel Paulista, na rua Edgard Ferraz, ao lado da Prefeitura. Antes do hotel, foi inspetor de alunos na Escola Estadual Joaquim Ferreira do Amaral (Industrial), Saiu da escola por volta de 1955 e foi também vendedor, ou caixeiro-viajante. Aos 83 anos, Sabu continua sempre de bem com a vida.
 
 
Bibliografia: TCC de Luiz Henrique Marques, da Faculdade de Comunicação, da Unesp, de Bauru, denominado “Jaú em ritmo de baile – Reconstituição jornalística da história das orquestras Continental e Capelozza de Jaú”.

 

3 Comentários(Deixe o seu)

  • David

    Parabens pela Matéria, o Sabu é uma grande personalidade de nossa cidade...

  • Paulo Capelozza

    Olá,
    Meu nome é Paulo Capelozza, sou pianista e moro em Ribeirão Preto S.P, sou neto do falecido "bandoneanista" Tino Capelozza e primo irmão do Tunin. No ultimo ano resgatei a herança da família e montamos a Orquestra Capelozza aqui em Ribeirão novamente para que nosso legado nunca morra.
    Sinto espiritualmente que é tudo parte de uma evolução da nossa família.
    Seria um prazer encontrar o Sabu e saber mais sobre toda a história da Orquestra!!! Meus numeros são: 16 81815501 | 16 91274288
    Um grande abraço!
    Saúde a todos.
    Paulo Capelozza.

  • vera Lúcia Capellozza

    Sou Vera Lúcia Capellozza, filha de Tunin Cappellozza, ao qual ele dedicou uma valsa(Vera Lúcia), que fez muito sucesso aqui em Jaú-SP, inclusive foi tocada na Igreja Matriz pela orquestra sinfônica de São Paulo, foi muito bom rever a história de meu pai apesar de te-la guardada em meu coração, lembramos e temos saudade de quando o meu pai(Tunin), e Tino Capellozza tocavam juntos.
    Escreva para nós, aqui vai o link do facebook e meu neto:https://www.facebook.com/gabriel.capellozza.1?ref=tn_tnmn
    Sou irmã de Virgínia Capellozza, Valter Capellozza e Vilma Capellozza, ele dedicou uma valsa a meus irmão, e a minha mãe Nida. E o meu neto Gabriel Capellozza também pretende estudar música, esperemos que através dele venha renascer essa tradição da família, ele está aprendendo tocar violão, e aprendendo cantar!
    Parabéns pela biografia! Tudo de bom, passar bem!

Deixar Comentário

Digite as letras e/ou números que você vê na imagem abaixo:

Leia | Política de Comentários.

Versão Móvel | Contato | Anuncie

Primeiro site de notícias de Jaú.
Jornalista responsável: José Henrique Teixeira MTb 20.061
Jaunews © 1999 - 2020. Todos os direitos reservados