segunda, 21 de agosto de 2017
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É o caos !

No total de quase 900 atendimentos registrados nas 24 horas, além dos 50% que eram de baixa complexidade, os demais eram 30% de casos de média complexidade e outros 20% de alta complexidade. Só estes últimos, a rigor, deveriam chegar ao Pronto Socorro da Santa Casa. Na prática, no entanto, não é isso que ocorre.

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18/10/2013 às 07h49
Pacientes ficam em macas pelos corredores do hospital

Pacientes ficam em macas pelos corredores do hospital

O atendimento na Santa Casa de Jaú caminha para uma situação de colapso e, conforme o médico-chefe do Pronto Socorro, José Aparecido Segura Ruiz, “será humanamente impossível” continuar atendendo da forma como agora ocorre caso não seja encontrada uma solução para desafogar a demanda. A manifestação de Segura se deu depois da constatação que apenas num período de 24 horas passaram pelo hospital 893 pessoas. Segundo ele, no entanto, 50% das pessoas que procuraram pela Santa Casa eram casos de baixa complexidade e que poderiam ser atendidas pela rede básica de saúde do município.

“A Santa Casa tem um espaço físico limitado. Não temos espaços mais para colocar macas para atendimento, nem cadeiras para que os pacientes fiquem sentados recebendo o soro. É um número exagerado. Isso sem contar o atendimento do raio-x, tomografia, ultrassom, que atendeu mais 470 pessoas nas mesmas 24 horas. As pessoas reclamam que ficam esperando. Ficam mesmo, porque não dá. São mais de duas pessoas por minuto”, disse o médico Segura.

No mesmo período de 24 horas, registrado entre as 7h do dia 14 deste mês e as 7h do dia 15, as ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pararam 46 vezes em frente do Pronto Socorro da Santa Casa, enquanto que as do Resgate, do Corpo de Bombeiros, outras seis vezes. “A maioria desses 52 pacientes que chegaram nessas ambulâncias são de alta complexidade, algumas de média complexidade. São casos que demoram, mínimo,  meia hora para serem atendidos.Isso se contar as ambulâncias das cidades vizinhas, o atendimento da Centrovias, que sempre traz pacientes das estradas. Temos no Pronto Socorro um clínico para baixa complexidade, um para alta complexidade e um cirurgião. Não dá conta. Não vence. Várias são atendidas mais de uma vez, porque são pedidos exames, avaliação de especialista”, explica o chefe do Pronto Socorro.

No total de quase 900 atendimentos registrados nas 24 horas, além dos 50% que eram de baixa complexidade, os demais eram 30% de casos de média complexidade e outros 20% de alta complexidade.  Só estes últimos, a rigor, deveriam chegar ao Pronto Socorro da Santa Casa. Na prática, no entanto, não é isso que ocorre.

“É um grande problema que temos. As pessoas se acostumaram a vir ao Pronto Socorro porque aqui elas fazem os exames, o raio-x, são medicadas, ficam em observação e já saem livres. Vai no postinho, às vezes o médico não está. É complicado.”, completa Segura.

 

Números

Atendimentos das 7h do dia 14 às 7h do dia 15 deste mês na Santa Casa de Jaú:

Total de pessoas atendidas..........................893

Pronto Socorro..............................................460

Pronto Socorro Infantil...................................173

Pronto Atenndimento....................................260

Radio-X.........................................................378

Tomografia.................................................... 43

Ultrassom...................................................... 49

Samu............................................................. 46

Resgate.........................................................   6

Alta complexidade...........................................20%

Média complexidade.......................................30%

Baixa complexidade........................................50%

 

Solução é pronto atendimento próximo, defende Segura

Para o médico-chefe do Pronto Socorro da Santa Casa de Jaú, a única forma de se evitar um colapso no atendimento é a criação de uma unidade de pronto atendimento pelo município, de preferência em frente ao hospital. “Se já tivéssemos essa unidade, a metade ou até mais dessas quase 900 pessoas não entrariam na Santa Casa”, justificou.

“Eu sou da opinião que a Prefeitura tem que abrir um PA (Pronto Atendimento), de preferência em frente da Santa Casa, aqui na praça Jorge Tibiriçá, onde funcionava uma escolinha que está desativada e onde funcionou a Associação dos Diabéticos.Esse PA  trabalharia das 8h até a meia-noite, para atender a baixa e a média complexidade. Isso diminuiria o aporte do pronto-socorro, co contrário ele ficará inviável”, disse Segura.

O médico-chefe diz que a  muito custo conseguiu montar a equipe do Pronto Socorro, que conta com dois clínicos 24 horas por dia, um cirurgião 24 horas, um médico na UTI do PS, um pediatra e um obstetra. Tem mais um médico pediatra no pronto atendimento e um clínico. “Os médicos não param e não faltam um dia. Deu trabalho mas está aí a equipe. Aqui a gente tem que matar um leão por dia e, às vezes, uma hiena que esta ali do lado dando risada porque você não está conseguindo fazer as coisas”, diz Segura.

Essa situação de trabalhar no limite leva, conforme Segura, ao estresse a equipe médica e de enfermagem. “Fica uma situação em que o médico quer resolver o problema do doente, já que ele vive de resultados. Os funcionários querem dar plantão com médicos que tem bom desempenho, que são educados. Pronto socorro tem situações de riso e de choro, todo dia. Então, quanto mais harmonia entre as equipes , a população entender, os órgãos de governo municipal, estadual e federal entenderem, a saúde progride bem. Se não, fica difícil”, completa.

Como vereador, Segura disse que apresentará esses números na sessão da Câmara na próxima segunda-feira e vai cobrar do poder público com urgência a instalação de um pronto atendimento. O município vai ter uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com recursos federais, só que deverá ser construída no próximo ano no  Residencial Bernardi.  Segura quer que uma unidade desse tipo seja feita em frente da Santa Casa, “onde bastaria apenas atravessar a rua quando o caso exigisse”.

 

 

 

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