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Cremesp aponta falhas no Pronto-Socorro da Santa Casa

A Santa Casa de Jaú teve seu pronto-socorro avaliado pelo Cremesp. Foram constatados problemas como: lotação, com macas nos corredores; dificuldade em encaminhar pacientes para outros serviços, entre outros.

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07/06/2013 às 09h48

A maioria dos médicos que atende nos prontos-socorros (PSs) paulistas não está satisfeita com a condição de trabalho na unidade onde atua. Esta foi uma das constatações da vistoria do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo)  em  71 prontos-socorros (PSs) do Estado de São Paulo, entre fevereiro e abril de 2013,  divulgado na última terça-feira, 4/06. Em boa parte dos prontos-socorros selecionados, que inclui os maiores de São Paulo e representa quase 10% do total de serviços urgência e emergência no Estado, as condições de trabalho são precárias. Falta de  materiais,  salas de emergência  inadequadas  e dificuldades para encaminhar casos para  serviços que atendam maior  complexidade foram alguns dos problemas apurados, e que colocam em risco a vida pacientes e o trabalho de médicos.  

A Santa Casa de Jaú está entre os hospitais que teve seu pronto-socorro avaliado pelo Cremesp.  Foram constatados problemas como: lotação, com macas nos corredores; dificuldade em encaminhar pacientes para outros serviços; falta de chefia de plantão; falta de médicos diaristas; falta de material permanente e, sala de emergência inadequada.

O levantamento, que vistoriou  23 PSs da Capital e 48 do Interior, Litoral e Grande São Paulo, priorizou a avaliação das condições de trabalho dos médicos e de atendimento dos pacientes. Em cada unidade, os profissionais que estavam em serviço no momento da visita foram convidados a responder um questionário de Avaliação da Condição do Médico. O preenchimento era voluntário e anônimo. No total, 109 entrevistas foram realizadas.

“Constatamos o que a população e os médicos vivem na pele. Os prontos-socorros agonizam, os médicos estão insatisfeitos e os usuários têm sua saúde e vida ameaçadas. Com uma atenção primária insuficiente para atender às demandas, mais pacientes procuram os prontos-socorros que, por sua vez precisariam de equipes mais bem preparadas e equipadas para atender principalmente à grande demanda de causas externas, de acidentes de trânsito e violências, que só cresce no Estado de São Paulo”, diz Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp.

“Trata-se de uma inversão de prioridades. Quando não se investe na atenção primária, nas UBSs e no programa Saúde da Família; e enquanto permanece o gargalo da falta de retaguarda dos atendimentos especializados, sobrecarrega-se o serviço de urgência e emergência. É para lá que a população vai correr, porque sabe que, mesmo em condições precárias, pode encontrar algum atendimento resolutivo”, afirmou Azevedo.

Entre os médicos que responderam o questionário, 63,9% são homens. Cerca de 35% têm 45 anos ou mais de idade. No universo analisado, 44,8% estão no local há menos de três anos. Cerca de 70% deles têm dois ou três empregos e um quinto do grupo faz mais de 48 horas semanais de plantão. Mais de 40% não fizeram curso de capacitação em urgência e emergência nos últimos dois anos.

Principais números do levantamento em 71 PSs

➜ 57,7% dos PSs têm macas com pacientes nos corredores

➜ 66,2% dos PSs relatam dificuldade de encaminhar pacientes para outros serviços de referência

➜ 57,7% dos serviços vistoriados estão com equipes médicas incompletas

➜ 28,2% das salas de emergência estão inadequadas

➜ Em 59,2% das salas de emergência falta algum tipo de material

➜ Em 46,5% dos serviços não há chefia de plantão nem médico diarista

➜ Em 32,4% dos PSs não é feita a triagem com classificação de risco

➜ Em 6,1% dos PSs não existem UTIs, nem no local nem em outro serviço referenciado

Sistema

O secretário municipal de Saúde, Gilson Scatimburgo, diz que os problemas do pronto-socorro da Santa Casa são gerados pelo próprio Sistema Único de Saúde, do governo federal. “Se tivesse mais leitos conveniados pelo SUS não existiriam macas em corredores. A estrutura do PS da Santa Casa não tem falhas, pois a deficiência está no sistema de saúde”, disse. Para ele, o próprio fechamento do pronto-socorro municipal na administração passada contribuiu para agravar a situação.

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