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Thereza Perlatti abre contagem regressiva

Entidade deixará de atender pacientes do SUS a partir de 1º de maio, mas tenta evitar essa situação extrema e realiza manifestação com funcionários, pacientes e familiares

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02/04/2013 às 21h53

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Paulo César Grange
Manifestantes en frente ao hospital na tarde desta terça-feira

Manifestantes en frente ao hospital na tarde desta terça-feira

A contagem regressiva para que a Associação Hospitalar Thereza Perlatti, de Jaú, deixe de atender pacientes do SUS já começou. Termina no dia 1º de maio, prazo dado pela direção da entidade para que se resolva a questão do repasse do governo estadual. O hospital admite não ter mais como suportar os sucessivos déficits, que passaram de R$ 1,5 milhão em 2012.

O objetivo é tentar convencer as autoridades de que o hospital não pode fechar as portas, deixando sem atendimento pacientes de 68 cidades – hoje, são atendidos 290 pacientes em sistema de internação, além de outros 60 em programa aberto (Hospital Dia). O hospital possui 350 funcionários e a maioria corre o risco de perder o emprego em caso de fechamento das portas para o sistema SUS.

A superintendente técnica do Thereza Perlatti, Susana Ragazzi Candido, considera que repercutiu muito bem o movimento e ajudou a mostrar a indignação sobre a situação do hospital. Segundo ela, a manifestação desta terça-feira mostra que o hospital não está parado e que está empenhado em buscar uma solução.

A direção confia na melhora do repasse pelo SUS – e espera que isso se concretize -, mas já admite ter de entregar pacientes à Secretaria Estadual de Saúde para ela resolver o problema a partir de 1º de maio. Esse será o procedimento em caso de fechamento: devolução dos pacientes para o Estado.

Sindicato - Diretores do Sindsaúde estiveram na manifestação realizada pela Associação Hospitalar Thereza Perlatti, de Jaú.  Funcionários, pacientes, familiares, membros da comunidade e até políticos se manfestaram em defesa da causa. A presidente Edna Alves demonstrou preocupação com o eventual fechamento do hospital, tendo em vista o grande número de trabalhadores que podem ser demitidos,

A auxiliar de enfermagem Sandra Monte fez um dos depoimentos mais enfáticos, destacando que no Thereza Perlatti se faz tratamento de pessoas com depressão, pessoas com transtorno mental, pessoas que surtam e precisam ter a crise controlada. “Ficam aqui em tratamento. Em casa a família não tem como tratar.” A instituição é um hospital e não um manicômio, destaca. A mudança de sanatório para hospital, segundo ela, ocorreu a partir de 1994.

Ela analisa que o governo quer acabar com manicômios, mas aqui não é um manicômio, aqui é um hospital”. Disse que os governantes têm dinheiro para obras faraônicas para a Copa do Mundo, mas não têm dinheiro para elevar o repasse por paciente de R$ 43 para R$ 90, que é o valor necessário para a diária do tratamento. “Dinheiro para a saúde, para manter o paciente e os empregos não têm”.

Preconceito - O médico psiquiatra Carlos Manoel Cristóvão falou do preconceito governamental contra hospitais psiquiátricos e que se fecham hospitais com esse foco sem dar alternativa para o tratamento dos pacientes.  Citou uma pesquisa de um epideomologista que comprovou que fechamentos de hospitais psiquiátricos causam mais mortes de pacientes.

Carlos lembrou que os hospitais psiquiátricos nunca conseguiram atender à demanda e que o fechamento dos atuais, como o Perlatti, provocaria uma dificuldade ainda maior para os pacientes. Segundo ele, pacientes em crise precisam de leitos, por isso não tem como não mantê-los internados.

Para a funcionária Lucila, um dos problemas é que o governo não deu atenção à solicitação do hospital ao projeto Residência Terapêutica.  Segundo ela, se aprovado, grupos de pacientes hoje residentes na instituição poderiam morar em casa na comunidade com supervisão da equipe do hospital. Hoje, diz ela, são 150 pacientes moradores, que poderiam ser atendidos na própria cidade de Jaú, evitando serem levados a outras cidades para tratamento.

Em outra manifestação, funcionária da AHTP lembrou que boa parte dos pacientes internados foram encaminhados para o hospital, por ordem judicial. E garante que todos são tratados com projetos terapêuticos para só depois promover a reinserção do paciente na sociedade.

O vereador Ronaldo Formigão (DEM) lembrou que foi a Brasília dias atrás, onde conversou com o deputado Arnaldo Faria de Sá sobre a necessidade de se obter mais verbas para o Thereza Perlatti. Também citou requerimento entregue na Câmara de Jaú para cobrar a formalização de convênio da Prefeitura com a entidade hospitalar, entre outras questões, inclusive ao governador do Estado.

O também vereador Fernando Henrique da Silva (PT) discursou, lembrando que é formado em técnico de enfermagem e que estagiou no hospital hoje ameaçado de fechamento. Ele manifestou solidariedade a funcionários e pacientes.

Documento -  Segundo requerimento de Formigão, no exercício de 2011 o déficit foi de R$ R$ 686.992,00. No exercício de 2012 o hospital fechou seu balanço patrimonial com despesas de R$ 9.830.431,19 e obteve receitas no valor de R$ 8.312.928,44, atingindo um déficit anual de R$ 1.517..502,75.

O hospital tem folha mensal de pagamentos e encargos trabalhistas e social no valor de R$ 611.661,68. E recebe do governo do Estado por meio do repasse do SUS R$ 569.871,35. Isso posto, o déficit mensal médio é de R$ 41.790,33. O hospital atende a uma região de 68 municípios.

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