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Jaú é uma cidade racista, diz presidente do Conselho do Negro

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09/11/2012 às 08h09

 

A presidente do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Jaú, Vânia Soares, reunida com representantes das entidades que representam os afrodescendentes da cidade, repudiou ontem aos que chamou de “caciques” e “coronéis” da cidade de Jaú, que não querem reconhecer o feriado municipal do Dia da Consciência Negra comemorado no próximo dia 20.
 
“Em pleno século 21, com tantos avanços que a nossa comunidade negra alcançou, Jaú continua confirmando aquilo que ouve além das nossas fronteiras. Com frequência ouvimos lá fora que Jaú é uma cidade racista e isso está se confirmando. Avançamos ao conquistar este feriado, um dia de reflexão, mas aqui ainda esbarramos nos coronéis”, disse Vânia Soares.
 
A sua manifestação aconteceu em frente ao Cine Municipal, no início da noite de ontem, após ter se reunido à tarde com representantes do sindicato patronal e de trabalhadores do comércio, que anunciaram a abertura das lojas no dia 20, e com representantes da Prefeitura.
 
“Fomos convidados a participar de uma reunião no Sindicato do Comércio Varejista, com o seu presidente, José Roberto Pena, e lá estava também o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, Paulo Zaccheo Filho. Tudo já estava definido pelo senhor Pena que apenas queria pedir o nosso apoio para que as lojas abram no dia 20. Não somos contra o trabalho, mas desde que o trabalhador tenha os seus direitos legais assegurados”, disse a presidente do Conselho.
 
Vânia Soares, após a reunião no sindicato disse ter percorrido muitas lojas no centro de Jaú, acompanhada de representantes das entidades de afrodescendentes e estranhou a desinformação existente.  “Não há a devida divulgação para a classe. Nem os funcionários, nem os patrões estão orientados ou informados sobre o que vai acontecer. É conversa que houve consulta aos lojistas e funcionários. O trabalhador não foi informado de que se ele não quiser trabalhar nesse dia o patrão não poderá descontar-lhe o dia e nem informado que se quiser trabalhar tem que receber todos os seus direitos. O Conselho vai atender a todos os que quiserem orientação sejam de qual etnia forem”, falou.
 
Depois devisitar as lojas, Vânia Soares e os membros das associações de afrodescendentes (Amukenguê, Filhos de Ilunga e Aristocrata Clube) estiveram na Prefeitura.Na Secretaria de Negócios Jurídicos constaram que o Sindicato do Comércio Varejista, de Pena, também propôs ação contra o feriado de 20 de novembro. “O senhor Pena deu entrada com a ação no dia 30 de agosto e quer tornar nulo o efeito civil do feriado. A Prefeitura foi notificada recentemente e agora irá apresentar defesa. Agem nos mesmos moldes do que fez o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo,que obteve liminar judicial para que mais de 100 empresas possam trabalhar no feriado municipal sem pagar adicional aos seus funcionários). O problema é que não qiuerem pagar os direitos e ainda desconsideram a história do povo negro que construiu este país”, disse a presidente do Conselho.
 
As lojas em Jaú e mais de uma centena de indústrias vão trabalhar normalmente no feriado do dia 20 de novembro. Este é o terceiro ano que a data é feriado municipal em Jaú.Em 2010 o dia caiu num sábado e os lojistas alegaram a necessidade de abrir os seus estabelecimentos por ser um dia importante de vendas.No ano passado foi num domingo e não teve nenhum problema. Agora, cai numa terça-feira e volta a polêmica e até ações judiciais contra a data.
 
No Brasil, o 20 de novembro é feriado em 470 municípios, sendo 33 deles no Estado de São Paulo, incluindo a capital.

 

13 Comentários(Deixe o seu)

  • Rafael

    Caros leitores preconceito é quem define o próximo preconceituoso, pois acho muito errado ter cota em universidade, feriado, pois a luta é para direitos iguais.

  • marcos cunha

    a moça acho que foi infeliz no comentário existe muitas maneiras de enaltecer quem tanto fez pelo pais ,vivemos numa democracia trabalha quem quer e folga quem quer...

  • PAULO CESAR DESTRO

    Se todo etnia querer ter feriado para comemorar e celebrar, daqui a pouco o País vai ter muitos feriados e o Brasil não vai andar!

  • daniel

    Existem 3 cometários e dois deles confirmam a matéria,Jau é uma cidade racista.

  • Eduardo

    A Sra. Vânia que me perdoe, mas o que isso tem a ver com racismo? Estamos no fim de um ano difícil pra economia, num mês onde tentamos recuperar o tempo pra não fechar o ano no vermelho. O mês de novembro já tem dois feriados, vai me desculpar, mas o brasileiro tem que deixar de ser vagabundo, por que não fizeram um dia como o dia das mães, 3º domingo de novembro, por exemplo, teríamos um dia especial pra isso e não atrapalharia as empresas e o comércio.

  • Rafael

    Carissimo Sr. Daniel e sua opinião qual seria?

  • Jose Getulio Scandiuzzi

    Não é porque uma pessoa isoladamente comete um ato ou se expressa de forma racista é que toda uma população seja racista.
    Ela talvez queira chamar a atenção para a data, mas como bem disse o senhor Eduardo, está muito difícil para quem trabalha, a cada instante alguém coloca um feriado, um custo a mais para a s empresas. Porque não fazer em domingo, ou uma semana de conscientização verdadeira, não um feriado em que todo mundo vai fazer churrasco e não está nem aí pelo que aconteceu aos negros?

  • marcelo antonio

    jaú é uma cidade racista sim,Pelé e Jair Rodrigues que o digam

  • Eva Gomes de Oliveira

    Se existe uma lei para o feriado, leis são feitas para serem cumpridas. Agora, para empresas... Algumas pagam, outras não. Trabalhei no comércio e nunca recebi nenhum benefício ou pagamento extra por trabalhar nos feriados e questionado o sindicato, nunca recebi resposta ou apoio a respeito.

  • Thiago

    Na empresa em que trabalho, também vai abrir e funcionar normalmente enquanto o gerente da telecom estará pescando e se divertindo com a família.

  • bibi costa

    TAMBÉM CONCORDO COM A VANIA, JAÚ É UMA CIDADE RACISTA SIM, A PROVA É ESTE FERIADO, MEU REPÚDIO AO PENA E TAMBÉM A ESTE ADVOGADO DR. BATOCHIO QUE PERDEU A OPORTUNIDADE DE FICAR QUIETO.
    NINGUÉM PODE OPINAR SE A CIDADE É RACISTA OU NÃO, SÓ NÓS MESMOS QUE SENTIMOS NA PELE ISSO.
    VAMOS LUTAR, POIS PRECISAMOS MUDAR A MENTALIDADE DESSAS PESSOAS AQUI EM NOSSA CIDADE.
    INFELIZMENTE EXISTEM MUITOS QUE PELA FRENTE ESTÃO SOLIDÁRIOS, MAS POR TRÁS SÃO RACISTAS SIM.
    MAS DEUS É MAIOR QUE TUDO ISSO E COM CERTEZA A JUSTIÇA VAI ACONTECER

  • marcelo antonio

    Depois esses mesmos racistas vão domingo na matriz rezar...bando de santo do pau-oco

  • fatima Borsetto

    Tenho 56 anos e sou jauense,filha de Jauenses e neta de italianos. Lembro-me qdo ainda mto criança,ouvia dizer do racismo existente na cidadede Jaú e infelizmente, sinto que quase nada mudou.Lendo os comentários acima, só me resta concordar com a Vânia Soares e lastimar por esses racistas infelizes que não sabem o que os esperam num futuro próximo.

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