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Com déficit, Santa Casa pode limitar atendimento no Pronto Socorro

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19/10/2012 às 07h53
Alcides Bernardi Jr., provedor da Santa Casa

Alcides Bernardi Jr., provedor da Santa Casa

 

A última edição do informativo da Santa Casa deJaú traz na capa em destaque o “Estado de alerta” pelo qual estaria passando o hospital filantrópico, acumulando déficit em torno de R$ 150 mil mensais. Na página 2 do mesmo informativo, o provedor Alcides Bernardi Junior afirma que o estado é de “alerta máximo”. A situação do hospital se complicou de um ano para cá com o fechamento do Pronto Socorro Municipal, que funcionava junto ao Hospital São Judas Tadeu. Houve um grande aumento da demanda e com a remuneração paga pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a instituição filantrópica passou a acumular déficits mensais que, conforme o provedor até agosto último superava a casa dos R$ 600 mil este ano.
 
“A Santa Casa de Jaú é uma entidade filantrópica e para manter essa condição precisa destinar 60% do seu atendimento a pacientes conveniados do SUS. Só que de cada R$ 100,00 do custo do atendimento a essa paciente, o SUS repasse R$ 60,00. Os outros R$ 40,00 tem que ser pagos com recursos próprios”, explica o provedor Bernardi.
 
Para o provedor, a situação ficou insustentável devido ao aumento da demanda provocado pelo fechamento do Pronto Socorro Municipal, aliada à falta de repasses. “A Prefeitura de Jaú não repassou este ano a cota mensal de R$ 23 mil do Pró-Santas Casas, como também não repassou R$ 98 mil do ano passado das cirurgias eletivas. As prefeituras da região, em sua maioria, não repassam nada do Pró-Santas Casas”, diz Junior Bernardi.
 
A ,mesa administrativa da Santa Casa pensa, nesse estado de alerta,em adotar a medida de so atender no Pronto-Socorro os casos de urgência e emergência. “Antes das eleições não tomamos nenhuma medida para que não nos colocassem como culpados da derrota de um ou vitória de outro. Agora, vamos conversar com o prefeito dr. Osvaldo (Osvaldo Franceschi Junior), que está terminando o seu mandato, e com o prefeito entrante, Rafael Agostini, pra a gente acertar isso.O atendimento de pronto-socorro é de responsabilidade do município e os R$ 640 mil que a Prefeitura repasse mensalmente para esse atendimento não são suficientes”, destacou o provedor da Santa Casa.
 
Para Bernardi Junior, caso não seja criada em breve uma nova alternativa de atendimento à população, “que pode ser a volta do Pronto Socorro Municipal ou a instalação da UPA (Unidade de Pronto-Atendimento), que terá recursos do governo federal, a Santa Casa não irá aguentar e terá atender apenas urgências e emergência em seu pronto socorro”.   Os casos que não se enquadram nessas situações deverão, conforme Bernardi, ser atendidos pelos postos de saúde ou pelas unidades de saúde municipais.
 
A Santa Casa recebe R$ 640 mil mensais da Prefeitura de Jaú para o seu pronto-socorro. Recebe também repasses através de emendas de deputados, além de recursos dos governos estadual e federal. Fora isso, tem os recebimentos através de outros convênios, que remuneram melhor do que o SUS e doações da comunidade. Isso leva algumas pessoas a considerar que o hospital seria um saco sem fundos.
 
“Não.Não é um saco sem fundos”, rebate o provedor Bernardi. “Dos 640 mil que a Prefeitura repassa para o pronto socorro, em torno de R$ 500 mil vão para o pagamento dos médicos que ali atendem. Sobram R$ 140 mil para a Santa Casa, mas sobra para ela pagar cerca de 90 funcionários que trabalham só no pronto socorro, com salários, 13º, férias, encargos sociais, cesta básica, mais os remédios e materiais que se utiliza no pronto socorro. Temos sete ou oito leitos UTI no pronto socorro mas o SUS não paga como UTI e sim como procedimento normal. Então, os R$ 640 mil não são suficientes. Ou esse repasse é aumentado pelo atual ou pelo futuro prefeito ou teremos que realmente limitar o atendimento do pronto socorro às urgências e emergências. Outra situação é criar nova alternativa de atendimento, através da UPA ou reativação do Pronto Socorro Municipal”, esclarece o provedor.
 
Bernardi sugere que a UPA poderia ser construída próxima da Santa Casa, na área onde funcionou a antiga cadeia pública e onde hoje estão as delegacias especializadas Dise e DIG. Poderia,segundo ele, haver um entendimento com o Estado para isso e assim a UPA estaria ao lado de toda uma retaguarda hospitalar.
 
Outro assunto que o provedor da Santa Casa pretende conversar com o prefeito eleito Rafael Agostini e com os vereadores que assumem em janeiro é a tarifa de água e esgoto cobrada da instituição. “Acho um absurdo uma instituição filantrópica ser cobrada em água e esgoto. A nossa dívida hoje com o Saemja (Serviço de Água e Esgoto do Município de Jaú) chega a R$ 1,5 milhão. Acho que o prefeito que vai entrar, bem como os vereadores, tem que ver isso. É preciso dar isenção de água e esgoto para a Santa Casa, para o Hospital Amaral Carvalho, para o Hospital Theresa Pèrlati”, diz Junior Bernardi.
 

A Santa Casa de Jaú oferece hoje 940 empregos diretos, além do corpo clínico, médicos autônomos, terceirizados e fornecedores. “Os repasses públicos não direcionam verbas para os custos de mão de obra. Recebemos 12 parcelas no ano pela prestação dos serviços e assumimos o pagamento de 14 meses, em razão de férias e de13º salário”, completa Bernardi.

 

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