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Taxis cobram à vontade sem taxímetro exigido por lei de 1999

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15/06/2012 às 08h04
Plinio Teixeira Jr.

 

Plínio Teixeira Jr.
Uma simples corrida de taxi em Jaú pode se transformar, em alguns casos, numa desagradável surpresa para o bolso do usuário se o mesmo se esquecer de combinar o preço do serviço com o taxista no ponto de partida da corrida. Isso porque vigora entre os taxistas da cidade aquilo que por eles mesmos é chamada de “tabela imaginária” de preços para as corridas, que sendo ignorada por aqueles que solicitam o serviço, acaba desobrigando os profissionais da área a praticá-la de modo uniforme.
 
“É uma tabela que foi criada de forma consensual entre os taxistas. A maioria deles concorda e cumpre com a tabela, mas existe uma minoria de profissionais mal intencionados que acabam fazendo seus próprios preços, cobrando até R$ 25 por uma corrida que não deveria custar mais que R$ 15”, descreve Paulo Zanetti, 56 anos, treze deles atuando como taxista no ponto ao lado da praça Oswaldo Galvão de França, na rua Humaitá.
 
Pela ‘tabela imaginária’ mencionada pelos taxistas ouvidos pela reportagem, uma corrida para a região central da cidade, partindo da praça Galvão de França ou do ponto existente na praça da República (Jardim de Baixo) custa R$ 12 para o usuário. Para bairros de média distância, como por exemplo, Pedro Ometto, Jorge Atalla e Vila Maria, partindo dos mesmos pontos, a corrida custa R$ 15. Já para as corridas de longa distância, como aquelas que têm por destino bairros como Orlando Ometto, Paraty, Residencial Bernardi etc, o preço varia entre R$ 18 e R$ 20.
 
O taxista Donizete Silva, 53 anos, há 12 anos atendendo no ponto da Praça da República (Jardim de Baixo), diz que sempre faz questão de informar o preço do serviço ao usuário antes de iniciar a corrida. “Mas infelizmente, como em todos os meios, no nosso também existem pessoas desonestas, que se aproveitam da simplicidade de alguns clientes para cobrar preços bem acima daqueles praticados pela maioria”, lamenta. Ele garante estar entre os que utilizam os valores definidos verbalmente entre os profissionais da área que aplicam a ‘tabela imaginária’ de preços.
 
De acordo com os taxistas ouvidos, a ‘tabela imaginária’ surgiu por conta da omissão da Prefeitura de Jaú em arbitrar os preços cobrados pelo serviço de taxi no município. Para se ter uma idéia da omissão a que se referem os taxistas, a última iniciativa da Prefeitura fixando tarifas para o serviço de taxi em Jaú é de dezembro de 1988, através de decreto assinado pelo então prefeito Octávio Celso Pacheco de Almeida Prado (PMDB). No decorrer daquele ano, em razão da inflação galopante por que passava o país, foram editadas seis tabelas de preços para a cobrança desse tipo de atividade no município.
“A Prefeitura cobra o imposto para que a gente possa trabalhar como taxista, mas não faz nada pela gente, nem uma tabela de preços para acabar com essa bagunça que é hoje a cobrança pelo serviço em Jaú”, declara Élzio Pastore, há 21 anos atuando no ponto da praça da República.
 
TAXÍMETRO
 
A Prefeitura de Jaú nem precisaria dar-se ao trabalho de publicar tabelas de preços para a cobrança do serviço de taxi na cidade se resolvesse tirar do papel uma lei municipal sancionada pela Câmara de Vereadores há 13 anos, durante a administração do então prefeito Paulo Sérgio de Almeida Leite (PSDB). A lei número 3.344, de janeiro de 1999, que acabou sendo sancionada pelo então presidente do Legislativo, José Carlos Zanatto, estabelece a obrigatoriedade da instalação de taxímetros nos taxis do município como única maneira de realizar a medição e a cobrança dos serviços oferecidos aos clientes pelos profissionais da área.
 
“A lei existe, falta vontade ou coragem para colocar em prática”, define José Cirilo de Souza, 63 anos, 34 deles como taxista, e destes, 7 trabalhando em Jaú, no ponto da rua Humaitá. Segundo ele, a ausência dos taxímetros nos veículos faz com que os usuários desse serviço na cidade sejam muitas vezes lesados. “Hoje ele pega [o taxi] na cega, sem saber quando vai ter que pagar no final da corrida”, afirma. Ele entende que a implantação dos taxímetros ajudaria até a aumentar a demanda pelo serviço, pois devolveria a confiança dos usuários, já que acabaria com as distorções de preços existentes hoje para o mesmo tipo de distância percorrida numa corrida.
 
ASSOCIAÇÃO
O presidente provisório da Associação dos Condutores Rodoviários e Taxistas de Jaú, João Carlos Alves de Campos, o Menininha, 60 anos, afirmou que uma das primeiras providências da entidade, que está em fase final de regularização após vários anos inativa por conta de pendências legais, será cobrar da Prefeitura a aplicação da lei que obriga a instalação dos taxímetros.
 
“Esse é um desejo da maioria dos taxistas de Jaú. Vamos trabalhar para que a lei seja cumprida na cidade e para acabar com essa situação de bagunça em que está hoje o serviço de taxi em nossa cidade”, disse. Ele garante que até o final da próxima semana a associação já estará com toda a sua situação legal normalizada, e a partir de então pretende solicitar à secretária de Transporte e Trânsito do município, Sílvia Regina Melges Gobi, uma reunião com os representantes da categoria para tratar, entre outros assuntos, da lei que torna obrigatória a instalação dos taxímetros.
 
A secretaria não respondeu até a conclusão desta edição as perguntas solicitadas e enviadas à pasta por e-mail questionando a ausência de posicionamento do poder público em relação aos preços praticados para a cobrança do serviço de taxi no município.

 

2 Comentários(Deixe o seu)

  • leandro ferreira de mattos

    Se existe a lei tem que ser aplicada; que os taxista instalem o taximetro, ou divulgue uma tabela padrão.

  • Paco

    Basta fiscalizar.
    Quem deve fiscalizar [e a secretaria de trânsito.
    Que também tem a obrigação de cuidar dos :
    MOTOTAXIS,ZONA AZUL,TERMINAL RODOVIÁRIO,ONIBUS MUNICIPAL E INTERMUNICIPAL QUE PARA EM JAU,VANS ESCOLAR....
    Cadê a fiscalização?????????
    ou em época de politica é proibido trabalhar?????

  • silmar

    onde fica esse ponto de taxi preciso do endereço e telefone preciso entrar em comtato com o taxista josé cirilo de souza

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