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Calçado de Jaú permanece em crise após redução do ICMS

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06/07/2012 às 08h15
Linha de produção de uma indústria jauense

Linha de produção de uma indústria jauense

 

A indústria calçadista de Jaú encerrou o primeiro semestre de 2012 mergulhada no mesmo cenário nebuloso que acompanhou o setor durante todo o ano passado. Vendas em queda, redução drástica da produção, demissões, fechamento de fábricas e, por consequência, investimentos praticamente congelados compõem o retrato atual do segmento que responde por cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do município. A comemorada redução, de 12% para 7%, do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a indústria calçadista do estado de São Paulo, anunciada em abril pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), não foi suficiente para reverter a crise vivida pelo setor, com vendas quase que totalmente sujeitas ao mercado interno, onde é cada vez mais sufocado pela invasão dos calçados importados, principalmente da China.
 
Enquanto há dois anos saía das linhas de produção das empresas calçadistas de Jaú cerca de 150 mil/pares dia, atualmente a produção está em torno de 80 mil pares/dia, reflexo da redução no volume de vendas, que apenas no mês de maio registrou queda em torno de 40%.
De janeiro de 2011 a maio deste ano, de acordo com o sindicato que representa os trabalhadores do setor, já foram fechados em torno de três mil postos de trabalho na indústria calçadista do município.
 
“Até 2010, o setor calçadista de Jaú vinha batendo recordes de geração de empregos, mas desde o ano passado, com o fechamento de algumas fábricas tradicionais e a forte redução da produção na maioria das outras, as demissões aumentaram bastante no setor”, afirma Donizete Sena, diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Jaú, que encontra-se em meio à campanha salarial da categoria com o sindicato patronal. (leia texto).
 
Entre as empresas tradicionais mencionadas pelo sindicalista e que encerraram as atividades tragadas pela crise no setor estão a Claudina Calçados, que empregava cerca de 300 funcionários, entre diretos e indiretos, e acabou fechando em março de 2011, e a Daniela Gatti, que gerava em torno de 150 postos de trabalho. As demissões também ocorrem em razão da redução da produção que vem sendo adotada desde 2011 por quase todas as empresas como forma de fazer frente à queda nas vendas. É o caso da Cristina França, que antes da crise gerava em torno de 300 empregos e atualmente conta com cerca de 40 funcionários em sua linha de produção. Mesma situação de outra marca conceituada do setor, a Valéria Prado, que reduziu os cerca de 350 funcionários que possuía até 2010 para algo em torno de 80 empregados atualmente. 
ICMS
A redução de 12% para 7% do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o setor calçadista e de acessórios de couros do estado de São Paulo, anunciada em 23 de abril pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), não trouxe os reflexos positivos esperados pelas empresas do município.
 
De acordo com o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú (Sindicalçados), José Geraldo Galasini, seria necessária também a redução do imposto para a cadeia varejista do produto, uma vez que o calçado produzido nas indústrias paulistas sofre também com a concorrência entre os estados, já que alguns deles possuem ICMS em 3% para o setor.
 
A desoneração decretada em maio por Alckmin contemplou, além das indústrias, também os atacadistas de produtos de couro, que tiveram redução na carga tributária de 18% para 12%.
 
As recentes valorizações do dólar frente ao real, que teoricamente poderiam criar condições favoráveis para o aumento das exportações do calçado produzido em Jaú, também não animam Galasini. “Na verdade, com exceção de algumas poucas empresas, a indústria calçadista de Jaú não possui uma grande tradição de exportação, tendo seu foco voltado para o mercado interno”, afirma o diretor do Sindicalçados.
 
E no mercado interno, o aumento das vendas esbarra numa velha conhecida dos fabricantes nacionais de calçados: a concorrência do produto chinês.
De acordo com números divulgados pelo Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca (SindiFranca), o maior pólo calçadista do país, 34 milhões de pares de calçados chineses desembarcaram no Brasil em 2011, um aumento de 19% em relação a 2010.
 
Apenas de janeiro a maio deste ano, a importação de calçados prontos apresentou elevação de 16% ante o mesmo período do ano passado.
 
“Não tem como esconder que a situação atual é bem delicada para a indústria calçadista, não só de Jaú como a de outros pólos produtores do país. Mas esse setor sempre foi muito cíclico. Essa não é a primeira e nem será a última crise do setor, mas já superamos outras crises e certamente também vamos encontrar caminhos para superar esse momento difícil que estamos atravessando”, avalia Geraldo Galasini.
 
 
Apesar da crise, trabalhadores cobram aumento real
 
Os representantes dos trabalhadores e do setor patronal da indústria calçadista de Jaú encontram-se em negociações em torno do acordo salarial da categoria, cuja data base foi no último dia 1º de julho. Duas reuniões preliminares já foram realizadas entre as partes, e os diretores do Sindicato das Indústrias dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Jaú esperam pela apresentação de contraproposta oficial pelos patrões para que a mesma seja apresentada e votada durante assembléia da categoria.
Mesmo no cenário de crise por que atravessa o setor, o sindicato dos trabalhadores está incluindo na pauta de negociações a previsão de aumento real dos salários dos trabalhadores, e não apenas a reposição inflacionária do último ano. Além da inflação no período (junho/01 a junho/02), pouco acima de 5%, os trabalhadores pedem mais 5% de aumento real e elevação no valor do cartão-alimentação dos atuais R$ 95,00 para R$ 160,00.
“Entendemos o momento difícil que passa a indústria calçadista em Jaú, mas não podemos abrir mão de buscar melhores condições de salário para os trabalhadores, que também tiveram aumento no seu custo de vida durante esse período”, afirma Donizete Sena, diretor do sindicato dos trabalhadores.                  (PTJ)    

 

Um comentário(Deixe o seu)

  • AMARAL

    MINHA OPINIÃO É QUE; OS NOSSOS GOVERNANDES AQUI DA CIDADE DE JAÚ, COMO SINDICATOS DOS EMPREGADOS E PATRONAL, NÃO TEM PUNHO NEM COMPETÊNCIA PARA FAZER
    UMA POLITICA DE UNIÃO DOS EMPRESÁRIOS, PARA REUNIR IDEIAS E MANEIRAS DE DIBRAR A CRISE, COMO É FEITO EM FRANCA, NOVA SERRANA, E NO SUL POR EX.
    NOSSOS SINDICATOS É MUITO FRACO E INCOMPETENTES .

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